Em Irecê, S.O.S Bahia debate problemas provocados pela seca e apresenta soluções para o semiárido baiano

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Estado tem 2 milhões de pessoas afetadas diariamente pela falta de água

Efeito climático que atinge ao menos 65 cidades e afeta diretamente cerca de 2 milhões de pessoas no Estado, a seca foi o tema do seminário “SOS Bahia – Caminhos para transformar a realidade do semiárido baiano”, promovido pela Fundação Índigo e pelo União Brasil, na noite desta quinta-feira (5), em Irecê.

Realizado no auditório do Hotel Fiesta, o fórum contou com as participações do presidente da Fundação Índigo, ACM Neto, dos ex-governadores Ciro Gomes (Ceará) e Paulo Souto (Bahia) e do presidente do diretório estadual do União Brasil, Paulo Azi. Também estiveram presentes deputados estaduais, vereadores, lideranças, agricultores, comerciantes e moradores de Irecê e outras cidades da região.

Segundo ACM Neto, tanto o governo federal quanto o estadual viraram as costas para as pessoas mais pobres da Bahia, que vivem no semiárido. “Nos últimos 20 anos de governo, não houve o início ou a conclusão de uma grande obra para reforçar a segurança hídrica em todo o semiárido. Não há sequer uma barragem que tenha começado e acabado dentro do semiárido, território que ocupa 85% da área do nosso estado e onde vive metade da população”.

Presidente da Fundação Índigo, duas vezes prefeito de Salvador e deputado federal pela Bahia por três mandatos, ACM Neto lamentou a realidade vivida pela população de diversos municípios baianos. “Falta água para o abastecimento humano, falta água para garantir a vida dos animais, falta água para a produção de alimentos. O pequeno produtor foi esquecido. Não existe apoio técnico, não existem linhas de crédito. Resultado: a seca tem efeito cascata porque compromete a economia”.

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Durante sua palestra, o ex-governador do Ceará, que também foi ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes acusou o governo federal de ignorar os problemas causados pela seca. “Falta ao Brasil um projeto estratégico que enfrente o problema do semiárido, que é o endereço da miséria e da pobreza mais sofrida do país. Você tem muita miséria na periferia das grandes cidades, no fundão da Amazônia, mas o polo mais hostil de expulsão de pessoas pela migração é o semiárido do Nordeste. E de todos os semiáridos do mundo, tem a melhor condição de ser resolvido”, avaliou.

De acordo com Ciro Gomes, o semiárido da Bahia tem dois projetos estruturantes fundamentais que se arrastam há décadas. O Canal do Sertão, que ainda não saiu do papel, e o do Baixio de Irecê, que caminha lentamente. “É preciso garantir o abastecimento humano, e nem isso acontece em Irecê atualmente, quanto mais em cidades menores. A Bahia também precisa de água para a produção, para gerar emprego e renda, mas nada disso vai acontecer se o governo não investir em obras e projetos”, ressaltou Ciro.

Propostas para o semiárido

Ex-governador da Bahia, Paulo Souto afirmou que a seca é conhecida e previsível. Para ele, a Bahia perdeu uma oportunidade histórica de exigir do governo federal o investimento em grandes obras hídricas, como compensação pelo fato de ser o estado doador para o projeto de transposição do rio São Francisco. “Todo o semiárido baiano é suscetível à desertificação. Infelizmente, o que não deveria acontecer, mas é a realidade na Bahia, é a omissão do Estado”, denunciou.

Ao final do evento, ACM Neto leu uma carta que aponta caminhos para o semiárido, com destaque para a retomada de uma política pública de segurança hídrica. Ele destacou a conclusão de projetos estratégicos, como o Canal do Sertão e o Baixio de Irecê, a construção de novas barragens de médio porte e a conclusão das barragens de Baraúnas (entre Seabra e Boninal) e Catolé (Barra do Choça/Vitória da Conquista).

Para Neto, somente a universalização do acesso à água para consumo humano, a implantação de um programa permanente de recuperação ambiental da caatinga, a implantação de distritos sociais verdes e o investimento em logística e conectividade digital podem mudar a realidade regional.

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