Índigo e União Brasil lançam Carta Compromisso com a educação pública e apontam soluções para o ensino na Bahia

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S.O.S Educação reuniu centenas de pessoas e especialistas em evento em Salvador

O auditório do Hotel Wish, em Salvador, lotou com as centenas de pessoas interessadas em debater a situação da educação na Bahia. O evento “S.O.S Bahia – Caminhos para Mudar a Educação no Estado” promoveu amplo debate sobre as condições das escolas e do ensino público. Apesar de os principais indicadores oficiais apontarem grandes desafios para ampliar a qualidade da educação, especialistas convidados pela Fundação Índigo e União Brasil construíram uma Carta Compromisso com sugestões para reverter o quadro atual.

De acordo com o Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, a Bahia ocupa a 24ª posição no ranking nacional que avalia a qualidade do ensino fundamental nos anos iniciais. A situação se agrava quando se avaliam os anos finais. Nesse quesito, o estado fica em penúltimo lugar, atrás apenas do Rio Grande do Norte. A percepção da população é a mesma. De acordo com a Paraná Pesquisas, contratada pela Fundação Índigo no escopo do Projeto Pulso Brasil, somente 26,9% dos baianos estão satisfeitos com a educação pública do estado.

Para o presidente da Fundação Índigo e idealizador do Fórum de Ideias S.O.S Brasil, boa parte do problema é do governo do estado. “Quando se pergunta qual o principal feito do governo atual na educação, nesses últimos quatro anos, todo mundo só lembra de uma coisa: o decreto que determinou a aprovação automática dos alunos em nossa rede. Isso não resolve o problema. E nós mostraremos, por meio da nossa Carta Compromisso, que muito pode ser feito para restabelecer a qualidade do ensino na Bahia”, criticou ACM Neto.

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“Um ponto fundamental para o sucesso da educação é o fortalecimento do trabalho em regime de colaboração com os municípios. Educação não se faz de maneira isolada. O aluno não pertence à rede estadual ou municipal, ele pertence ao sistema educacional. Quando estado e municípios trabalham juntos — compartilhando metas, formação de professores, materiais pedagógicos e acompanhamento — os resultados aparecem com mais rapidez”, ponderou Renato Feder, secretário de Educação do Estado de São Paulo.

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Um dos palestrantes do S.O.S Educação, Feder explicou o porquê de São Paulo ter avançado tanto nos últimos anos. “É necessário planejamento de longo prazo, acompanhamento constante e coragem para enfrentar problemas estruturais. Não basta construir escola, é preciso garantir qualidade. Isso passa por infraestrutura adequada, valorização e formação continuada dos professores, gestão eficiente e, principalmente, por tornar a escola um espaço atrativo para os jovens”.

Outro grande especialista convidado a palestrar foi o ex-ministro da Educação e deputado federal, Mendonça Filho. Ele foi um dos idealizadores da reforma do ensino médio e responsável pelo lançamento do programa nacional de incentivo à ampliação das escolas para educação em tempo integral. Segundo ele, a melhoria da qualidade do ensino no Brasil exige conhecimento e coragem de enfrentar a raíz dos problemas, como a questão do currículo escolar do ensino médio, que exigia treze disciplinas obrigatórias, independente de o aluno querer fazer exatas ou humanas.

“O Brasil tinha um modelo único onde você ofertava as mesmas disciplinas para todos os alunos. E nas pesquisas, todos eram unânimes em dizer que aquele modelo não dialogava com o seu projeto de vida. O que os jovens diziam? ‘Será que eu preciso aprender o mesmo conteúdo de biologia, geografia e história se eu quero cursar é engenharia?’. Quem vai fazer engenharia precisa ter ênfase em física e matemática. Então, o que a gente fez? A gente mudou a educação do nível médio no Brasil para flexibilizar o currículo”, lembrou Mendonça Filho.

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Com a contribuição de especialistas da Bahia e de outros estados, o Fórum S.O.S Educação construiu um diagnóstico preciso dos principais problemas e elaborou uma proposta de reestruturação da escola pública baiana. A partir de uma escuta ampla e da análise de evidências, a Carta Compromisso a seguir demonstra que qualquer solução para a educação exige continuidade, foco na aprendizagem real e responsabilização pública.

Clique aqui para acessar o inteiro teor da Carta Compromisso com Educação na Bahia.

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