SOS Segurança Pública leva debate de alto impacto ao Ceará e aponta caminhos para frear avanço do crime

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Evento promovido pela Fundação Índigo reuniu lideranças do União Brasil, especialistas e representantes da sociedade civil no Centro Universitário Estácio, em Fortaleza.

A 3ª edição do SOS Segurança Pública, realizada nesta quinta-feira (11), em Fortaleza, marcou o retorno do debate qualificado sobre segurança ao Nordeste após as etapas da Bahia e do Paraná. O evento, promovido pela Fundação Índigo em parceria com o União Brasil, lotou o auditório da Estácio e colocou no centro da conversa os gargalos, desafios e caminhos para enfrentar o avanço do crime organizado no país.

Ao longo da programação, foram discutidos os desafios que afetam diretamente a vida dos cearenses, especialmente o crescimento das organizações criminosas e a pressão sobre as forças policiais. Em sua fala de abertura, o anfitrião da edição, Capitão Wagner, destacou a necessidade de respostas mais firmes e coordenadas.

“O Ceará vive um cenário crítico. O crime organizado cresceu porque faltou enfrentamento real por parte do governo. Além de não existir qualquer estratégia, nem mesmo coordenação entre as forças de segurança, há um hiato entre a estrutura policial e o crime. Nesta semana foi descoberto um bunker, com arma de grosso calibre, dinheiro e muita droga. Aqui os bandidos usam drones para atacar a população e a polícia, enquanto a corporação nem viatura tem. É uma disparidade que ajuda a explicar esse cenário de caos”, criticou.

SOS CEARA 11dez2025 595      Abertura do evento com o Capitão Wagner, presidente do União Brasil Ceará.

Ainda conforme sua avaliação, o Estado precisa ter “tolerância zero” para qualquer conivência institucional com grupos criminosos. “Casos como o do prefeito de Santa Quitéria, Braguinha, que enviou um milhão de reais dentro de um carro para uma facção no Rio de Janeiro, e o de Bebeto do Choró, também suspeito de envolvimento com facções e que está há um ano foragido, ilustram uma realidade que não pode mais ser ignorada. Esses e qualquer outros políticos envolvidos com o crime têm que ser presos”, concluiu Wagner.

Diagnóstico nacional e impacto nas comunidades

Um dos destaques do evento foi a palestra do veterano capitão do BOPE e especialista em segurança pública, Rodrigo Pimentel. Com o tema “Domínio Territorial do Crime: A Expansão das Organizações Criminosas e seus Impactos no Brasil”, ele apresentou um panorama da expansão das facções e dos desafios para retomar áreas sob influência do crime.

“O avanço das facções criminosas no Brasil é uma ameaça concreta à soberania do Estado. O que se vê hoje no Ceará é uma realidade pouco antes vista, onde grupos armados controlam territórios inteiros e impõem sua lei. Isso demonstra a urgência de políticas de segurança que ataquem as bases econômicas e territoriais dos criminosos, fortaleçam as forças policiais e garantam que o Estado recupere a presença onde ela foi perdida.”

IMG 5526 2  Palestra com Rodrigo Pimentel, veterano capitão do BOPE e especialista em segurança pública.

Pimentel destacou ainda que o enfrentamento ao crime passa por uma mudança de método. Segundo ele, sem integração real entre as forças policiais, investimento contínuo em inteligência e capacidade de resposta rápida, o poder público seguirá atuando apenas de forma reativa. “São mais de 2 mil famílias expulsas de suas casas pelas facções. É preciso uma resposta rápida, forte e integrada do governo. O crime passou a definir horários, rotas e regras de convivência. Não estamos mais falando apenas de violência, mas de erosão da soberania”, alertou Rodrigo Pimentel.

Debate de alto nível

A 3ª edição do SOS Segurança Pública foi finalizada com uma mesa de discussão entre os participantes, oferecendo ao público um debate técnico, firme e responsável sobre o tema que mais preocupa o país. Além de Capitão Wagner e Rodrigo Pimentel, a mesa redonda reuniu o deputado federal e ex-secretário de segurança pública de São Paulo, Guilherme Derrite, relator do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.

SOS CEARA 11dez2025 36    Mesa redonda com Capitão Wagner, Guilherme Derrite e Rodrigo Pimentel.

Ao longo de quase uma hora, os especialistas aprofundaram temas como crime organizado, violência urbana, inteligência policial e políticas preventivas. Um dos assuntos debatidos foi o PL Antifacção. Guilherme Derrite, ao comentar o papel do projeto, afirmou que o Brasil não pode mais tratar segurança pública de forma romântica.

“O PL Antifacção nasce para enfrentar a realidade com a seriedade que ela exige. É um texto construído para fortalecer o Estado, dar mais instrumentos às forças de segurança e reduzir a capacidade de articulação das facções”, explicou. O deputado federal reforçou ainda que o objetivo do projeto é criar um arcabouço jurídico mais consistente, alinhado às práticas que já vêm sendo adotadas em estados que enfrentam os maiores índices de criminalidade.

Guilherme Derrite SOS Ceara  Participação do Guilherme Derrite, deputado federal e ex-secretário de segurança pública de SP

Reconhecimento

Com grande participação de público nos três estados (Bahia, Paraná e Ceará) e forte interesse da comunidade civil, acadêmica e profissional, o SOS Segurança Pública se consolidou como um dos principais fóruns de debate sobre o tema no país. O objetivo da Fundação Índigo, ao promover esses encontros, é ampliar o diálogo sobre um tema tão crucial no dia a dia da população e reunir especialistas para propor soluções que combinem inteligência, prevenção e resposta qualificada ao crime organizado.

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