Evento promovido pela Fundação Índigo reuniu lideranças do União Brasil, especialistas e representantes da sociedade civil no Centro Universitário Estácio, em Fortaleza.
A 3ª edição do SOS Segurança Pública, realizada nesta quinta-feira (11), em Fortaleza, marcou o retorno do debate qualificado sobre segurança ao Nordeste após as etapas da Bahia e do Paraná. O evento, promovido pela Fundação Índigo em parceria com o União Brasil, lotou o auditório da Estácio e colocou no centro da conversa os gargalos, desafios e caminhos para enfrentar o avanço do crime organizado no país.
Ao longo da programação, foram discutidos os desafios que afetam diretamente a vida dos cearenses, especialmente o crescimento das organizações criminosas e a pressão sobre as forças policiais. Em sua fala de abertura, o anfitrião da edição, Capitão Wagner, destacou a necessidade de respostas mais firmes e coordenadas.
“O Ceará vive um cenário crítico. O crime organizado cresceu porque faltou enfrentamento real por parte do governo. Além de não existir qualquer estratégia, nem mesmo coordenação entre as forças de segurança, há um hiato entre a estrutura policial e o crime. Nesta semana foi descoberto um bunker, com arma de grosso calibre, dinheiro e muita droga. Aqui os bandidos usam drones para atacar a população e a polícia, enquanto a corporação nem viatura tem. É uma disparidade que ajuda a explicar esse cenário de caos”, criticou.
Abertura do evento com o Capitão Wagner, presidente do União Brasil Ceará.
Ainda conforme sua avaliação, o Estado precisa ter “tolerância zero” para qualquer conivência institucional com grupos criminosos. “Casos como o do prefeito de Santa Quitéria, Braguinha, que enviou um milhão de reais dentro de um carro para uma facção no Rio de Janeiro, e o de Bebeto do Choró, também suspeito de envolvimento com facções e que está há um ano foragido, ilustram uma realidade que não pode mais ser ignorada. Esses e qualquer outros políticos envolvidos com o crime têm que ser presos”, concluiu Wagner.
Diagnóstico nacional e impacto nas comunidades
Um dos destaques do evento foi a palestra do veterano capitão do BOPE e especialista em segurança pública, Rodrigo Pimentel. Com o tema “Domínio Territorial do Crime: A Expansão das Organizações Criminosas e seus Impactos no Brasil”, ele apresentou um panorama da expansão das facções e dos desafios para retomar áreas sob influência do crime.
“O avanço das facções criminosas no Brasil é uma ameaça concreta à soberania do Estado. O que se vê hoje no Ceará é uma realidade pouco antes vista, onde grupos armados controlam territórios inteiros e impõem sua lei. Isso demonstra a urgência de políticas de segurança que ataquem as bases econômicas e territoriais dos criminosos, fortaleçam as forças policiais e garantam que o Estado recupere a presença onde ela foi perdida.”
Palestra com Rodrigo Pimentel, veterano capitão do BOPE e especialista em segurança pública.
Pimentel destacou ainda que o enfrentamento ao crime passa por uma mudança de método. Segundo ele, sem integração real entre as forças policiais, investimento contínuo em inteligência e capacidade de resposta rápida, o poder público seguirá atuando apenas de forma reativa. “São mais de 2 mil famílias expulsas de suas casas pelas facções. É preciso uma resposta rápida, forte e integrada do governo. O crime passou a definir horários, rotas e regras de convivência. Não estamos mais falando apenas de violência, mas de erosão da soberania”, alertou Rodrigo Pimentel.
Debate de alto nível
A 3ª edição do SOS Segurança Pública foi finalizada com uma mesa de discussão entre os participantes, oferecendo ao público um debate técnico, firme e responsável sobre o tema que mais preocupa o país. Além de Capitão Wagner e Rodrigo Pimentel, a mesa redonda reuniu o deputado federal e ex-secretário de segurança pública de São Paulo, Guilherme Derrite, relator do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.
Mesa redonda com Capitão Wagner, Guilherme Derrite e Rodrigo Pimentel.
Ao longo de quase uma hora, os especialistas aprofundaram temas como crime organizado, violência urbana, inteligência policial e políticas preventivas. Um dos assuntos debatidos foi o PL Antifacção. Guilherme Derrite, ao comentar o papel do projeto, afirmou que o Brasil não pode mais tratar segurança pública de forma romântica.
“O PL Antifacção nasce para enfrentar a realidade com a seriedade que ela exige. É um texto construído para fortalecer o Estado, dar mais instrumentos às forças de segurança e reduzir a capacidade de articulação das facções”, explicou. O deputado federal reforçou ainda que o objetivo do projeto é criar um arcabouço jurídico mais consistente, alinhado às práticas que já vêm sendo adotadas em estados que enfrentam os maiores índices de criminalidade.
Participação do Guilherme Derrite, deputado federal e ex-secretário de segurança pública de SP
Reconhecimento
Com grande participação de público nos três estados (Bahia, Paraná e Ceará) e forte interesse da comunidade civil, acadêmica e profissional, o SOS Segurança Pública se consolidou como um dos principais fóruns de debate sobre o tema no país. O objetivo da Fundação Índigo, ao promover esses encontros, é ampliar o diálogo sobre um tema tão crucial no dia a dia da população e reunir especialistas para propor soluções que combinem inteligência, prevenção e resposta qualificada ao crime organizado.
