Brasil Melhor: Como gerar renda no mundo que já mudou.

A solução é de longo prazo e requer muito investimento em capacitação da mão-de-obra. Esta é a única certeza sobre a geração de emprego e renda para um contexto mundial, e nacional, onde mais de 65% das crianças e adolescentes de hoje trabalharão em atividades que ainda não existem. Assim, o quinto dia do 1º Ciclo de Diálogos Brasil Melhor levantou muitas questões sobre como gerar renda no mundo que já mudou.

Segundo o professor José Pastore, o cenário de avanço tecnológico na produção de bens e serviços já se defronta com o quadro atual de altíssimo desemprego, crescente desalento e grande informalidade, e crava: “Não há bala de prata, emprego e trabalho dependem de investimento e tempo para qualificação da mão de obra. Com a grave situação fiscal atual, o Brasil investe apenas 15% do PIB em geração de empregos, enquanto na década de 1970 este patamar estava em 25%”.

Um dos maiores especialistas sobre emprego do país, Pastore ressalta que o investimento hoje só terá efeitos em, no mínimo, 18 meses, e aponta para a necessidade de se criar empregos imediatos enquanto nos preparamos para o futuro. “O cidadão não consegue esperar. A necessidade de infraestrutura é enorme, o Brasil tem tudo a ser construído ainda, de rodovias a telecomunicações. Isso representa uma verdadeira usina de empregos para os quais já estamos preparados. Porém, o investimento privado precisa de segurança jurídica para atuar”, conclui.

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, esclarece que “o progresso de investimentos tenta melhorar as condições de oferta, com redução de custos operacionais, o que gera demanda e, portanto, investimentos”, e complementa que a melhoria na produtividade dependeria de um consistente plano de governo na área educacional. Já o economista Rafael Minatogawa, chefe de gabinete do Deputado Federal Kim Kataguiri, alerta que a falta de infraestrutura tecnológica pode ser um dos entraves. “Com os planos de desindustrialização dos EUA e Europa, US$ 50 bi/ano já são repartidos mundo afora por meio de trabalhos autônomos remotos, e 33% da população brasileira sequer tem acesso a internet”, e acrescenta que “o legislador precisa entender que não adianta encaixar este novo paradigma no modelo trabalhista de 1930, quando foi instituída a CLT”.

Ao encerrar o encontro, o superintendente do Instituto ÍNDIGO, professor Marcos Cintra levanta uma última grande questão: “Toda inovação tecnológica gera mais empregos do que destrói, tem sido assim há 300 anos”, e faz um alerta: “Talvez estejamos pela primeira vez na história gerando um saldo negativo”, atribuído ao desencaixe entre a oferta de empregos e a qualificação da mão-de-obra. “No agro, por exemplo, faltam operadores de colheitadeiras, atividade que paga salários altíssimos, pois é similar a pilotar um avião”. Assim se encerrou o 1º Ciclo de Diálogos Brasil Melhor, onde o ÍNDIGO contou com a participação de grandes especialistas, com o intuito de levantar as grandes questões a serem solucionados pela sociedade. Em breve teremos o 2º Ciclo de Diálogos e, ao seu final, o programa entra na fase de propostas e políticas públicas para a retomada do crescimento país e qualidade de vida dos brasileiros. Fique atento às nossas redes sociais e se inscreva em nosso canal no YouTube.

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