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Como a Proibição Torna as Drogas Mais Potentes e Mortíferas

O fracasso social e econômico da chamada “Guerra às Drogas” já é amplamente conhecido. Uma questão que muitas vezes é mencionada, mas raramente explicada é o aumento da potência de drogas ilegais, seja maconha com alta porcentagem de THC nos EUA ou MDMA (Ecstasy) super potente na Europa.

O que está por trás desse fenômeno? Uma teoria econômica menos conhecida, mas altamente interessante, pode ter a resposta.

Este conceito foi estudado e aplicado. Se você achar interessante e quiser mais informações, confira o trabalho de Richard Cowan “The Iron Law of Prohibition”. Ele está bem explicado aqui. Outra leitura recomendável é de Mark Thornton. Ele explica em detalhes por que a proibição do álcool foi um fracasso.

O Teorema de Alchian-Allan

A teoria que pode explicar o aumento da potência de drogas proibidas foi descrita pela primeira vez em 1964 por Armen Alchian e William R Allen. Ela afirma que, quando o preço de dois bens substitutos aumentar devido a um valor fixo por unidade (como transporte ou tributação), o consumidor optará pelo preço mais alto e de qualidade superior, porque o preço do produto mais caro diminui proporcionalmente ao preço do produto mais barato.

Um exemplo rápido: você tem dois queijos: um custa 5 dólares e tem qualidade média e o outro custa 10 dólares e é de boa qualidade. O queijo mais caro é duas vezes mais caro que o mais barato.

Vamos adicionar um custo fixo de 5 dólares (porque o queijo precisa ser transportado para onde quer que você esteja). Embora a proporção de ambos os custos ainda seja a mesma no país em que foi produzido, o mais caro (15 dólares) é agora apenas 1,5 vezes mais caro que o mais barato (10 dólares) onde você mora.

Agora, relativamente falando, ele é menos caro e, por isso, os consumidores optam por obtê-lo. Isso pode ser aplicado a quase qualquer bem.

Como Isso se Relaciona à Potência de Drogas Ilegais?

No caso específico das drogas ilegais, dois tipos diferentes de drogas – digamos dois tipos diferentes de maconha – atuam como bens substitutos.

Ao comprar drogas ilegais no mercado negro você não paga apenas pela droga. Em cima do preço monetário vem o custo social potencial que você paga. Isso pode variar de uma pequena infração, onde você deve pagar uma multa, a um crime onde você pode enfrentar uma sentença de prisão.

Isso vem aliado a outros problemas: perder seu emprego, família, status social e assim por diante. Este é o valor fixo por unidade adicionado ao preço da droga. Não vale a pena correr o risco de comprar um produto de baixa qualidade quando se considera o preço potencial que você deve pagar.

Em outras palavras, por que você passaria pelo trabalho de encontrar um traficante de drogas, comprar o produto, pagar um preço social potencialmente alto e depois receber um produto de baixa qualidade?

Se você compra drogas – vamos usar a maconha como exemplo outra vez – você quer aquela que proporciona a você e aos seus amigos uma jornada de filosofia e risadas infinitas. Você não quer aquela que mal dá alguma sensação depois de fumar.

Os cartéis das drogas identificaram esse comportamento e aumentaram a potência de suas drogas (ou seja, melhoraram a qualidade do seu produto) para que você obtenha mais valor pelo potencial custo fixo por unidade que você paga. A relação custo-benefício para você como cliente aumentou. O preço relativo diminuiu. Isso não se relaciona apenas às drogas ilegais, mas pode ser identificado na história: durante a proibição de álcool nos Estados Unidos, a potência das bebidas alcoólicas aumentou.

Por Que Isso Importa?

Eu disse anteriormente que a qualidade do produto (ou seja, a potência da droga) aumenta. O que soa bem na teoria econômica se torna um enorme problema de saúde pública na vida real. A potência de muitas drogas aumentou demais. Como acontece na maioria dos países proibicionistas, muitos consumidores não sabem exatamente qual droga estão utilizando e nem em que dose estão consumindo: para não falar das substâncias adicionadas que aumentam a quantidade.

Neste momento, os EUA enfrentam uma enorme epidemia de opióides. Estima-se que o impacto econômico de opióides prescritos e intoxicações por opióides seja de 75 bilhões de dólares anualmente. Seis em cada dez mortes causadas por drogas podem ser atribuídas aos opióides. Isso é consequência de um aumento acentuado de heroína com fentanil, um opioide e analgésico sintético barato que é de 50 a 100 vezes mais forte do que a heroína comum. Deveria ser óbvio que o risco potencial de overdose aumenta enormemente.

Isso não se aplica apenas à epidemia de opiódes dos EUA. A Drugscouts, uma organização com sede na Alemanha, encontra regularmente pílulas de MDMA que contêm mais de 100 mg da substância; o mesmo acontece no Reino Unido. Isso implica no potencial de overdose e de graves consequências para a saúde e anula a finalidade original de tomar MDMA: se divertir.

O Que Isso Significa Para as Políticas?

Por mais de 40 anos, agora já vimos que a proibição não impede as pessoas de usarem drogas. Não importa quanto dinheiro gastamos com a polícia, as drogas com potência elevada estão amplamente disponíveis para quem as queira.

Especialistas internacionais pediram uma nova abordagem para este problema, uma que é boa para o consumidor e não ajuda a financiar cartéis de drogas, mas que não negligencia o fato de que muitas drogas são nocivas e potencialmente letais.

Se as drogas fossem descriminalizadas, os clientes teriam conhecimento sobre o conteúdo de sua MDMA, sua cocaína, sua maconha. As drogas que são potentes demais podem ser facilmente evitadas. As drogas legalizadas incluem na embalagem o conteúdo específico. As vendas em lojas especializadas permitiriam que os clientes recebessem ajuda médica se demonstrassem sinais de consumo problemático, sem ter medo de serem presos por causa disso.

Até que isso aconteça, os políticos fracassam em proteger as pessoas de danos que podem ser facilmente evitados.

Extraído de: https://fee.org/articles/how-prohibition-makes-drugs-more-potent-and-deadly/

Tradução: Tuana Neves

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